Eu era a amiga ouvinte, mas isso não me livrava da solidão

Fazer amizade era fácil para mim. Eu era brincalhona, alegre e companheira, parecia até que tinha a fórmula mágica para andar sempre cercada de pessoas. Sempre fiz tudo o que era necessário para manter todos por perto. Eu muito escutava, muito ajudava, mas raramente pedia ajuda ou opinião em algo. Era a amiga que sentia muito, desde a tristeza alheia até a saudade incontrolável. Eu era a perfeita amiga ouvinte, mas isso não me livrava da solidão.

 

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Eu só me doava e não pedia nada em troca

Mas ninguém me ouvia e ninguém tentava me ouvir. Se eu era ótima em perceber que algo incomodava meus amigos, mesmo quando eles fingiam que não, eles não conseguiam ter o mesmo feeling comigo. Criaram uma imagem de que eu era feliz o tempo todo e que eu não precisava de ninguém como as pessoas precisavam de mim.

Eu lutava com unhas e dentes para manter as pessoas por perto, mas quando caia a noite, a solidão me abraçava de forma acolhedora e sussurrava no meu ouvido que eu não tinha em quem confiar.

E eu ficava solitária, trancada no meu quarto. Meus medos e anseios começavam a sair da minha boca e as lágrimas queimavam meu rosto. Fingia conversar com um amado parente falecido, pra tentar afugentar a solidão. Mas durante anos, foi com o vento que eu mais conversei.

Percebi que não valia a pena

Depois de muito tempo, resolvi que eu não tinha que ser assim. Eu não tinha que ser a amiga que movia mundo por todos, já que poucos moviam dedos por mim. Parei de correr atrás dos meus “amigos”. Deixei de largar meus compromissos só para comparecer aos compromissos deles. Deixei de coloca-los sempre acima de tudo.

E então eles perceberam que algo estava acontecendo. Perguntaram o que aconteceu, se algo estava errado. “Você tá diferente”, eles diziam. “Gostava mais de você antes”, reclamavam. Foi quando eu percebi: Minha amizade era boa quando era fácil tê-la. No momento em que eu parei de fazer tudo sozinha, ela perdeu o encanto. Talvez, se eles tivessem percebido o quão importante é o companheirismo, se tivessem percebido que amizade é via de mão dupla, isso não tivesse acontecido.

Mas aconteceu. E para eles não foi bom, mas foi o melhor para mim.

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